A Bíblia e a arqueologia


Líder evangélico relaciona a pregação A Bíblia e a arqueologia



Por São Paulo, Brasil


  Pastor Eraldo em ensaio fotografico (Foto: Eddy Mailto)

Marcos no campo da arqueologia
A tentativa mais antiga da qual se tem registro de realizar uma escavação arqueológica provavelmente foi feita em 1738 em Herculano, Sul da Itália. Como Pompeia, escavada pela primeira vez em 1748, Herculano foi soterrada quando o monte Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C. As "escavações" consistiam em túneis feitos na lava solidificada que permitiram aos escavadores remover tesouros aos escavadores remover tesouros da cidade soterrada. Não se observou a remoção das camadas de terra de forma sistemática e científica, meticulosamente registrada, medida, desenhada e relatada que caracteriza as escavações arqueológicas modernas. A busca por tesouros antigos se estendeu até o Oriente Médio em 1799 quando um oficial do exército de Napolião descobriu uma pedra com inscrições em três línguas. Era a fomosa "Pedra de Roseta" que, uma vez decifrada, desvendou a língua e a história do Egito antigo, escritas nas paredes de seus edifícios e túmulos em hieróglifos até então indecifráveis. Ao longo de todo o século XlX, empreendedores encheram os muses da europa de antiguidades removidas do Oriente Médio. Também foram realizadas expedições para a Mesopotânia. Em 1842, Paul Botta saqueou Corsabade, dezesseis quilômetros ao norte de Nínive, e encheu o Louvre, em Paris, de antiguidades do reinado do monarca assírio Sargão ll. De 1845 em diante, Sir Austen Layard proveu o Museu Britânico com tesouros trazidos de Nínive e relacionados com o reinado de outro monarca assírio, Assurbanipal ll.

Outras línguas decifradas
Entre 1846 e 1855, Sir Henry Rawlinson decifrou a escrita cuneiforme da língua persa antiga na Pedra de Behistun, a "Padra de Roseta do Oriente". Não demorou para que as línguas elamita e acádia também fossem decifradas e a história da Assíria e da Babilônia fosse desvendada para o mundo por meio da tradução de inscrições em pedra e em tábuas de argila, das quais foram descobertas, até hoje, cerca de 500.000. Uma vez que a Terra Santa, região que hoje abrange a Jordânia, Israel e a Síria, parecia quase inteiramente desprovida de artefatos valiosos, os primeiros estudiosos da região se dedicaram a levantamentos geográficos e à identificação de locais importantes da antiguidade.

A Troia de Homero
Heinrich Schliemann, escavador alemão das cidades de Troia e Micenas que figuram nos poemas de Homero, foi responsável por introduzir o método científico na arqueologia. Conforme Schliemann descobriu em Troia em 1879, os montes que marcavam a paisagem daquela região do mOriente Médio eram camadas (conhecidas como "estrato") de cidades antigas destruídas e reconstruídas repetidamente ao longo dos séculos. Debaixo de cada monte (ou tel, como são chamados em hebraico e árabe), havia uma cidade antiga ou parte de uma cidade. Ao realizar um corte vertical nos estratos, como quem corta uma fatia de bolo, era possível descobrir a história do local desde o período mais recente de ocupação (na superfície) até o mais antigo (na parte inferior). Vinte anos depois, o egiptólogo inglês Sir Flinders Petrie que trabalhou por um período curto em Tel Hesi, na Terra Santa, observou que cada estrato do monte continha um tipo peculiar de louça de cerâmica. Ao registar minuciosamente a cerâmica de cada estrato, Petrie identificou mudanças na ocupação cultural. Observou, ainda, que algumas das louças apresentavam formas distintas e associou-as ao seu trabalho no Egito, onde vira objetos parecidos em contextos nos quais era possível datar os artefatos com base em inscrições encontradas nos mesmos estratos. Nasceu, desse modo, a "tipologia cerâmica", técnica mais importante da arqueologia bíblica moderna para datar camadas estrtigráficas que não contêm inscrições nem moedas.

Vasilhas e datas
A descobertas de Petrie foi revolucionária. Na antiguidade, era comum as pessoas produzirem suas próprias vasilhas de cerâmica. Como se tratava de um processo de baixo custo, quando as famílias se mudavam não levavam a louça consigo. Pelo fato de a cerâmica ser praticamente imperecível, cada estrato de um monte contém, portanto, grande quantidade de sacos de louça. Uma vez feita essa descoberta, tornou-se necessário definir uma cronologia com base na tipologia cerâm,ica, de modo a permitir a datação mais exata das mudanças de estilo dos vasos ou recipientes. Essas mudanças podiam ser identificadas com a mesma precisão com que identificamos a mudanças nos estilos de carros hoje em dia. O responsável por essa descoberta foi o conhecido arqueólogo do Oriente Médio William Foxwell Albright. De 1926 a 1932, Albright trabalhou em Tel Beit Mirsim, onde escavou um monte claramente estratificado com quantidade suficiente de vasos ou recipientes de cerâmica em cada camada para permitir um registro científico da evolução cronológica e tipológica de suas principais formas. Seu trabalho continua a servir de base para toda tipologia cerâmica moderna. Algumas das maiores escavações na Terra Santa como, por exemplo, as de Jerusalém, Samaria, Jericó, Taanaque, Megico, Gezer e Azor, foram realizadas antes do desenvolvimento completo desse método de datação. Desde a Segunda Guerra Mudial, a maioria desses sítios foi escavada novamente por arqueólogos que utilizavam não apenas uma cronologia mais refinada da cerâmica, mas também técnicas científicas modernas.

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