Como os arqueólogos trabalham


Líder evangélico relaciona Como os arqueólogos trabalham



Por São Paulo, Brasil


  Pastor Eraldo em ensaio fotografico (Foto: Eddy Mailto)

Os métodos da arqueologia se desenvolveram consideravelmente desde os túneis escavados na antiga cidade de Herculano. Também houve grande progresso desde o início do século XX, quando escavadores bem-intencionados, mas sem equipamentos apropriados, exploraram sítios com pás e carrinhos de mão e centenas de trabalhadores informais que recebiam o preço de mercado da época para cada artefato encontrado.

Uma abordagem científica
AS técnicas de escavação evoluíram até chegarem ao processo atual extremamente científico, controlado e caro. OS custos e a exigência de precisão ainda maior contribuíram para transformar a escavação em um trabalho realizado por profissionais altamente especializados em diferentes áreas que atuam em conjunto em expedições que mais parecem um laboratóri científico ao ar livre. as expedições arqueológicas modernas envolvem cinco operações básicas: levantamento, escavação, registro, interpretação e publicação. Primeiro, cada sítio novo precisa ser estudado com base no levantamento de uma área de vários quilômetros ao seu redor. O objetivo é reunir a maior quantidade possível de informações acerca de seu contexto geográfico e histórico.

O método Wheeler
Depois do levantamento da região adjacente, o sítio escolhido é dividido em uma grade com quadrados de cinco metros de lado. Cada quadrado é numerado e as escavações são realizadas em apenas alguns quadados, e não em todo sítio. Isso permite que escavadores posteriores verifiquem o trabalho e, se necessário, corrijam erros à medida que os métodos arqueológicos evoluem, Vários sítios foram escavados novamente dessa forma, inclusive Gezer, Jericó, Hazor e Laquis. Os quadados são escavados em estrados sucessivos, ou seja, remove-se uma camada de cada vez, incluindo fossas que penetram camadas inferiores. Esse processo, conhecido como método de Kenyon-Wheeler em homenagem aos arqueólogos Kathleen Kenyon e Sir Mortimer Wheen, é o que permite maior controle sobre a escavação. O trabalho em cada área é realizadado sob a coordenação de um supervisor que mantém registros detalhados de tudo que acontece naquele quadrado. Toda área menor ou objeto que requer identificação e registro separado é chamado de locus. Pode se tratar de uma simples mudança na cor no solo ou algo maior, como um piso de pedra ou uma parede. Cada locus recebe um número sob o qual são registradas todas as informações referentes Àquele locus.

O registro da escavação
No final de cada dia de trabalho, trça-se um plano que mostra o aspcto de cada quadrado visto de cima e relaciona todos os loci visíveis no momento. Os arqueólogos também fotografam estágios importantes da escavação e usam essas fotos nos artigos que elaboram para as revistas científicas. Ao terminarem a escação, fazem um desenho preciso da lateral exposta do quadrado que se torna o guia para a análise do histórico cronológico do quadrado. A junção dos desenhos dos quadrados serve de base para os arqueólogos analisarem todo o sítio. Da mesma forma que é possível determinar o número de camadas de um bolo ao se cortar uma fatia, também a história do sítio pose ser identificada por meio de sua estratigrafia. Ela é o indicador principal do sítio, daí os escavadores manterem as laterais dos quadrados devidamente aplainadas e identificarem os loci de cada uma com etiquetas numeradas. O registro detralhado é a parte mais importante do trabalho de escavação. A arqueologia é, por natureza, uma forma de destruição sistemática. Uma vez escavado, o local nunca mais será visto exatamente como era antes. Por isso, fotos, projeções frontais, desenhos em escala, observações dos supervisores e anotações em diários são elementos essenciais da escavação moderna.

A interpretação da escavação
Todos esses procedimentos são necessários para o passo seguinte: a interpretação. Trata-se, evidentemente, do objetivo final de qualquer escavação e também da parte mais difícil do processo. Em geral, supervisores, escavadores voluntários e coordenadores de escavação interpretam os dados da mesma forma.

A "nova arqueologia"
Nas últimas décadas, vários avanços ocorreram nas técnicas científicas empregadas na arqueologia: fotogrametria terrstre e aérea, magnetômetros e instrumentos de resistividade, trânsitos computadorizados e guiados por laser para medir elevações e fazer levatamentos, fotografia com infravermelho, análise de cerâmica por ativação de nêutrons, secção fina e análise petrográfica de têmpera e argila, termoluminescência, análise de flotação de amostras de pólen e de padrões de sedimentação. Todos esses recursos fazem parte da "nova arqueologia" e têm ajudado a transformar as técnicas de escavação. Hoje em dia, é possível datar descobertas com mais precisão. Aém de observar o estrato em que o artefato ou estrutura se encontra (quando mais profundos os estrados, mais antigos, desde que sejam sequenciais e não tenham sido revirados), podemos situar o objeto em uma cronologia de cerâmica que indica a cada do estrado.

Datas e moedas
A descoberta de moedas é extremamente importante para a datação, pois as moedas trazem nomes e, com frequência, datas gravadas em suas faces. No caso de matéria orgânica, pode-se aplicar carbono 14 que, após a queima de uma parte da amostra, emite carbono 14 radiativo em uma proporção que pode der medida por um contador Geiger. Em condições ideais, pode-se obter uma datação aproximada em 200 anos para mais ou para menos com base na quantidade de carbono detectada. Em materiais inorgânicos bem mais antigos, pode-se usar a datação por potássio-argônio. Para sítios posteriores ao período helenístico, encontra-se em desenvolvimento uma cronologia tipológica de vidro, semelhante àquela com base em louças de cerâmicas.

Interpretação dos dados
Em geral, realiza-se a interpretação dos dados cronológicos por paralelismo. Esse procedimento indispensável exige conhecimento do que já foi escavado em sítios em outros locais correspondentes a um período semelhante. O arqueólogo compara o achado de um sítio com o de sítios paralelos, partindo do pressuposto que foram datados corretamente e, portanto, podem corroborar a interpretação atribuída ao objeto no sítio em questão. É preciso usar de cautela para não gerar um encadeamento improdutivo de raciocínio circular e conjecturas. Cada vez mais, os estudiosos usam computadores para catalogar achados e tornar mais rápido e eficiente o acesso a dados de sítios paralelos que, de outro modo, passariam despercebidos.

Três arqueólogos lendários
Três dos maiores arqueólogos do século XX são considerados arqueólogos bíblicos. . W.F. Albright,da Johns Hopkins University foi, talvez, o maior expoente de todos os tempos em sua área. Em muitas ocasiões, usou seu trabalho para refutar críticos alemães radicais que atacavam a credibilidade histórica da Bíblia. . Nelson Glueck, rabino ordenado e aluno de Albright, descreveu como usou a Bíblia como mapa ao realizar seus levantamentos arquelógicos. . Outro aluno de Albright, o professor G. Ernst Wright, foi uma das maiores autoridades em metodologia arqueológica. Destacou que o arqueólogo bíblico "deve se...preocupar com a estratigrafia e tipologia, sobre as quais se fundamenta a arqueologia moderna... e, no entanto, sua preocupação maior não deve ser somente com métodos, nem com louças ou armas de per si. Seu foco e interesse central devem ser a compreensão e exposição das Escrituras".

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